milhões em “dinheiro vivo”

Presidente da FPF é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica

Inquérito surge a semanas da eleição na federação; promotores citam compra de dezenas de imóveis

Presidente da FPF é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito criminal para investigar o atual presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, por suspeitas de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e falsidade ideológica. A investigação, conduzida pela Polícia Civil, apura uma evolução patrimonial considerada "vultuosa e sem comprovação de origem" pelos promotores.

O foco da investigação é a movimentação financeira do dirigente e de seus familiares. Um dos episódios que mais chamou a atenção das autoridades foi a venda de uma participação societária em uma empresa de serviços, em 2021. Do valor total de R$ 15,5 milhões, cerca de R$ 11,5 milhões teriam sido pagos em "dinheiro vivo".

Para os promotores Beatriz Lotufo Oliveira e Júlio César Matias Soares, o recebimento de valores tão altos em espécie é uma prática atípica no mercado comercial comum e exige uma apuração profunda sobre a real origem dos recursos. Além disso, a polícia mapeia dezenas de imóveis registrados em nome da família e de empresas ligadas ao grupo, principalmente na região de Taubaté (SP).

A abertura do inquérito acontece às vésperas da eleição para a presidência da FPF, que está marcada para o dia 25 de março. O atual dirigente busca seu quarto mandato consecutivo.

Reinaldo Carneiro Bastos informou que não recebeu nenhuma notificação oficial sobre o inquérito e que desconhece qualquer irregularidade envolvendo seu patrimônio ou a gestão da federação. A FPF, embora mencionada no processo como potencial vítima de possíveis irregularidades, ainda não se manifestou oficialmente sobre os desdobramentos.

O inquérito foi encaminhado ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital, onde serão realizados cruzamentos de dados tributários e bancários. A investigação pode ser ampliada para apurar crimes contra o sistema financeiro e a ordem tributária. O processo segue os ritos normais de apuração e não há ordens de afastamento ou restrições impostas ao cargo ocupado pelo dirigente.

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