"ERRO DE PROSÓDIA"

MPF processa globo e pede indenização de R$ 10 milhões por pronúncia incorreta de ‘recorde’

Procurador afirma que erro de pronúncia viola o direito da sociedade a uma programação educativa.

MPF processa globo e pede indenização de R$ 10 milhões por pronúncia incorreta de ‘recorde’

O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais ajuizou uma ação civil pública contra a Rede Globo, exigindo o pagamento de R$ 10 milhões por danos ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa. O processo, movido pelo procurador Cléber Eustáquio Neves pouco antes do Carnaval de 2026, alega que a emissora propaga um erro sistemático de pronúncia (prosódia) ao tratar a palavra "recorde" como se fosse acentuada.

De acordo com a ação, a emissora estaria induzindo a população ao erro ao pronunciar o termo como proparoxítona ("ré-corde"), quando a forma correta prevista na norma culta é paroxítona ("re-COR-de"). Para embasar o pedido, o procurador anexou vídeos de telejornais e programas esportivos onde a falha foi identificada. Em um dos exemplos, ele menciona a pronúncia do jornalista César Tralli, âncora do principal telejornal da Globo. Neves argumenta que, por ser uma concessionária de serviço público, a utilização do português correto não é uma escolha estética, mas uma obrigação ligada à qualidade e eficiência da informação.

"Quando uma concessionária de alcance nacional propaga, de forma reiterada e sistemática, um erro de pronúncia, conhecido por erro de prosódia, ela viola o direito da sociedade a ter acesso a uma programação com finalidade educativa", afirmou o procurador na peça inicial. O MPF defende que o alcance da emissora acaba por consolidar a falha no cotidiano dos brasileiros, ferindo o patrimônio cultural que a língua representa.

Além da indenização milionária, o Ministério Público pede uma liminar para que a emissora retifique a pronúncia em seus principais programas. A emissora ainda não apresentou sua defesa.

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