Processo Administrativo

Após atraso do STM, Bolsonaro terá novo prazo de 10 dias para se defender de perda de patente

Novo prazo foi aberto após falha na notificação anterior.

Após atraso do STM, Bolsonaro terá novo prazo de 10 dias para se defender de perda de patente

O Superior Tribunal Militar (STM) reabriu o prazo para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresente defesa no processo que pode resultar na perda de sua patente de capitão da reserva do Exército. A medida foi adotada após falha na notificação anterior.

A decisão de intimar o ex-presidente havia sido determinada em 10 de fevereiro pelo relator do caso, ministro Carlos Vuyk de Aquino. No entanto, a defesa só foi formalmente comunicada na segunda-feira (23). Com isso, passou a correr novo prazo de 10 dias corridos para apresentação de defesa prévia.

O procedimento foi instaurado após representação do Ministério Público Militar (MPM), que pediu a declaração de indignidade ou incompatibilidade para o oficialato em razão da condenação imposta a Bolsonaro pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por liderar tentativa de golpe de Estado.

Além do ex-presidente, também foram notificados os generais Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, assim como o almirante Almir Garnier, que respondem a processos semelhantes e podem sofrer a mesma sanção administrativa.

COMO FUNCIONA A PERDA DE PATENTE

De acordo com o artigo 120 do Estatuto dos Militares, oficiais condenados definitivamente a pena superior a dois anos de prisão podem perder o posto e a patente. Para que o STM analise o caso, é necessário que o Ministério Público Militar apresente representação específica por indignidade.

A legislação militar — que inclui o Código Penal Militar (Decreto-Lei nº 1.001/1969) e o Código de Processo Penal Militar (Decreto-Lei nº 1.002/1969) — prevê julgamento próprio para avaliar as consequências da condenação na esfera castrense. Cabe ao STM decidir sobre a perda da patente, mas a execução da medida é responsabilidade do comando militar correspondente (Exército, Marinha ou Aeronáutica).

HISTÓRICO DA CORTE

Casos de perda de posto e patente não são inéditos na Corte. Em 2025, o STM declarou a perda da patente de um tenente-coronel do Exército condenado a mais de dois anos de prisão, considerou um coronel indigno por envolvimento em esquema criminoso e julgou procedentes representações relacionadas a fraude em sistema financeiro e episódios de indisciplina e desacato.

Levantamento do próprio Tribunal aponta que, nos últimos anos, foram julgados 96 processos de perda de posto e patente, o que corresponde a 86% dos casos levados a julgamento.

O processo envolvendo Bolsonaro segue em fase inicial, com prazo aberto para manifestação da defesa.

Com informações do Poder 360

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