Zanin atende pedido de Moraes e marca sessões extras para julgamento de Bolsonaro no STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, solicitou a realização de sessões extras na próxima quinta-feira (11) para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos outros sete réus do núcleo considerado crucial da trama golpista. Em ofício enviado ao ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, Moraes pediu o agendamento de sessões complementares, sendo uma às 9h e outra às 14h.
Já estavam marcadas sessões para terça, quarta e sexta-feira da próxima semana. Com o novo pedido, Moraes reservou um dia adicional para a votação, buscando assegurar a conclusão do julgamento na semana. O STF já havia informado que novas sessões poderiam ser agendadas caso a votação não fosse concluída dentro do prazo inicial.
Como relator do processo, Moraes será o primeiro a votar. Em seguida, votarão os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, nesta ordem.
As primeiras duas sessões do julgamento ocorreram na última terça e quarta-feira, dedicadas à leitura do relatório e à apresentação dos argumentos finais da Procuradoria-Geral da República e das defesas.
Além de Bolsonaro, respondem ao processo Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Alexandre Ramagem, Anderson Torres, Paulo Sérgio Nogueira, Almir Garnier e Mauro Cid.
O julgamento iniciou com um discurso do ministro Alexandre de Moraes, que rechaçou a anistia aos envolvidos em atos golpistas e defendeu que a impunidade não é opção para a pacificação do país. Em seguida, foi realizada a leitura do relatório do processo.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a condenação de todos os réus pelos cinco crimes listados na denúncia, que incluem organização criminosa armada, golpe de estado e tentativa de abolição violenta do estado democrático. As penas em caso de condenação podem chegar a 43 anos de prisão.
As defesas adotaram estratégias distintas em suas sustentações. Os advogados de Mauro Cid concentraram-se em preservar o acordo de delação premiada, enquanto outros buscaram desqualificar os acordos de colaboração. A defesa de Augusto Heleno adotou tom de enfrentamento ao ministro relator, diferindo dos demais advogados que evitaram confronto direto. Os advogados do ex-presidente buscaram questionar o papel de comando atribuído a ele na denúncia.
Com informações do Estadão
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