“nada acadêmico”

USP oficializa demissão de professor de direito acusado de assédio e abuso contra alunos

Decisão ocorre após processo interno investigar denúncias de pelo menos 10 estudantes; docente estava afastado desde 2024

USP oficializa demissão de professor de direito acusado de assédio e abuso contra alunos

A Universidade de São Paulo (USP) oficializou, nesta quarta-feira (11), a demissão do professor e jurista Alysson Mascaro, da Faculdade de Direito. A decisão, assinada pelo reitor Aluísio Segurado e publicada no Diário Oficial do Estado, fundamenta-se nas conclusões de um processo administrativo que investigou graves denúncias de assédio moral, sexual e abuso contra estudantes.

O despacho da demissão estabelece que o desligamento tem efeito imediato. Embora a defesa possa apresentar recurso no prazo de 30 dias corridos, essa tentativa não terá o poder de suspender a decisão — ou seja, o professor permanece afastado de suas funções e do quadro de funcionários durante qualquer questionamento administrativo.

Mascaro, que era professor associado e uma figura conhecida na Filosofia do Direito, já estava afastado do cargo desde o final de 2024. As investigações ganharam corpo após pelo menos 10 pessoas apresentarem denúncias formais. Os relatos incluem abusos de poder e abordagens inadequadas que ocorriam, muitas vezes, fora do ambiente acadêmico tradicional.

Um ex-aluno e orientando relatou que o docente costumava convocar estudantes para reuniões em sua residência particular, onde o conteúdo pedagógico era frequentemente negligenciado em favor de comportamentos invasivos. "Ele não trata praticamente nada acadêmico na faculdade", afirmou a vítima em depoimento colhido durante a apuração do caso.

A Faculdade de Direito da USP optou por não se manifestar publicamente sobre o desfecho do processo. A defesa de Mascaro, conduzida pela advogada Fabiana Marques, indicou anteriormente que pretende acionar a Justiça comum por meio de um mandado de segurança para tentar reverter a demissão, alegando que o processo administrativo teria falhas que justificariam a manutenção do docente no cargo.

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