PGR pede ao STF condenação dos réus do ‘núcleo de gerência’, apontados como imprescindíveis ao plano golpista

PGR pede ao STF condenação dos réus do ‘núcleo de gerência’, apontados como imprescindíveis ao plano golpista

A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) as alegações finais no processo contra o chamado “núcleo de gerência” da trama golpista. O procurador-geral Paulo Gonet pediu a condenação dos seis réus que, segundo a acusação, foram responsáveis por gerenciar as principais iniciativas do plano para subverter o resultado das eleições de 2022.

A manifestação da PGR, com 342 páginas, sustenta que a contribuição dos acusados para o "intento disruptivo e violento" foi "inquestionável". Os réus, que ocuparam altos cargos no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, respondem por cinco crimes: organização criminosa armada, golpe de estado, tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

RÉUS E PROVAS

O grupo de réus inclui nomes de destaque da gestão anterior, como:

  • Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF);
  • Marília Ferreira de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça;
  • Fernando de Sousa Oliveira, ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça;
  • Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais da Presidência;
  • Coronel Marcelo Costa Câmara, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • General Mário Fernandes, ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência.

A PGR acusa Silvinei Vasques, Marília Alencar e Fernando Oliveira de usar a PRF para dificultar o voto de eleitores no Nordeste, principal base eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de "sustentar a permanência ilegítima" de Bolsonaro no poder.

O general Mário Fernandes é acusado de coordenar "ações de monitoramento e neutralização violenta de autoridades públicas", em conjunto com o coronel Marcelo Câmara. Ele também teria sido o interlocutor entre o governo e os líderes dos acampamentos que culminaram nos atos de 8 de janeiro. A PGR aponta que o general admitiu a autoria do documento "Punhal Verde Amarelo", um plano para atacar ministros do STF e os então eleitos presidente e vice-presidente da República.

Já Filipe Martins é apontado como o responsável por redigir a chamada "minuta golpista", um decreto que implementaria "medidas excepcionais" para dar o golpe. Segundo a PGR, sua participação "não se deu de forma periférica ou acidental", sendo resultado de sua "profunda relação de confiança com o líder da organização criminosa". Além disso, Martins teria escrito um discurso para Bolsonaro, após a derrota eleitoral, que continha acusações falsas sobre fraude nas urnas.

Com a entrega das alegações finais da PGR, as defesas dos réus agora terão a oportunidade de apresentar seus últimos argumentos. O julgamento será marcado em breve na Primeira Turma do STF.

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