Municípios pedem ao STF para entrar em guerra das torres de celular

Municípios pedem ao STF para entrar em guerra das torres de celular

Associações de municípios de diferentes estados brasileiros acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para defender o compartilhamento obrigatório de antenas de celular em áreas urbanas, alegando que a proliferação dessas estruturas representa um risco à organização das cidades. A discussão pode impactar diretamente a expansão da tecnologia 5G, que depende de uma quantidade muito maior de antenas para funcionar em sua capacidade total.

A iniciativa reúne a Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), a Federação Goiana de Municípios (FGM), a Associação de Municípios do Acre (AMAC) e a Federação das Associações de Municípios da Paraíba. Essas entidades solicitaram ao STF que mantenha a decisão do ministro Flávio Dino, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7708. Dino determinou a obrigatoriedade do compartilhamento de torres de celular quando a distância entre elas for inferior a 500 metros, revertendo mudanças introduzidas pela Lei nº 14.173/2021.

A legislação em questão, aprovada em 2021, eliminou a obrigatoriedade de compartilhamento de infraestrutura prevista na Lei nº 11.934/2009, que estabelecia que torres próximas deveriam ser utilizadas por mais de uma operadora. Para os municípios, a volta dessa regra é essencial para evitar a sobrecarga visual e estrutural das cidades, prevenindo o que eles chamam de "paliteiros" – a excessiva concentração de antenas em áreas urbanas.

A ação foi movida inicialmente pela Associação Brasileira de Infraestrutura para Telecomunicações (Abrintel), e as associações municipais buscam atuar como amicus curiae no processo. Elas defendem que o compartilhamento é uma solução equilibrada para promover a expansão do 5G sem comprometer o planejamento urbano.

Nos bastidores, o debate reflete também disputas comerciais entre empresas. Grandes operadoras, como Tim, Vivo e Claro, atualmente alugam torres de empresas especializadas, como American Towers e BR Tower, mas muitas desejam instalar suas próprias infraestruturas por motivos estratégicos. Por outro lado, empresas que investiram na compra de torres, baseando-se na legislação de 2009, têm interesse em que o compartilhamento continue obrigatório, o que fortaleceria seu modelo de negócios.

O caso foi interrompido após o ministro Luís Roberto Barroso pedir vista, adiando o julgamento e deixando a questão em aberto. Uma decisão favorável ao compartilhamento obrigatório pode transformar o mercado, reforçando a posição de empresas e fundos que investiram na infraestrutura existente e garantindo que a expansão da cobertura 5G respeite critérios de planejamento urbano.

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