tentativa de homicídio
Justiça inocenta policiais acusados pela morte de adolescente na Cidade de Deus
Caso ocorreu em agosto de 2023, na Cidade de Deus, zona oeste da capital.
O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro absolveu, na noite desta quarta-feira (11), os policiais militares Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal, acusados de homicídio qualificado pela morte do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, ocorrida em agosto de 2023, na Cidade de Deus, zona oeste da capital fluminense.
Os dois agentes, à época lotados no Batalhão de Choque, também foram inocentados da acusação de tentativa de homicídio contra Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, que sobreviveu ao episódio.
O julgamento se estendeu por dois dias e foi marcado por debates intensos entre acusação e defesa. Ao final, a maioria dos sete jurados votou pela absolvição. Os policiais ainda respondem a outro processo, no qual são acusados de fraude processual.
Ao proferir a sentença, o juiz Renan Ongaratto, que presidiu o júri, afirmou que o Judiciário não é indiferente à “dor que transcende a família das vítimas”, mas ressaltou que o veredicto expressa a “voz da sociedade”.
Em nota pública, a Anistia Internacional criticou o resultado do julgamento, manifestando indignação e sustentando que o foco do processo teria sido desviado ao retratar Thiago como suspeito, e não como vítima da letalidade policial.
O CASO
Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, os policiais teriam agido com torpeza, em uma espécie de tocaia ilegal, utilizando arma de alta energia. Thiago e Marcos estavam juntos em uma motocicleta quando foram atingidos por disparos de fuzil, após a queda do veículo em uma via de acesso à comunidade.
De acordo com a acusação, os agentes estavam em um carro particular descaracterizado e teriam saído do veículo já efetuando disparos. Thiago foi baleado pelas costas — primeiro nas pernas e depois no tronco — e morreu no local. Marcos Vinicius foi atingido na mão e sobreviveu.
Em depoimento no julgamento, Marcos afirmou que Thiago não estava armado no dia do fato. A versão foi reforçada por testemunhas e por elementos da perícia.
A defesa sustentou que os adolescentes seriam ligados ao tráfico de drogas e que teriam atirado contra os policiais, que reagiram à agressão. Para respaldar a tese, foi apresentada uma pistola que, segundo os réus, teria sido usada por Thiago e recolhida na cena do crime.
A acusação contestou a narrativa, destacando divergências nos depoimentos dos policiais. Inicialmente, eles afirmaram não estar no local. Posteriormente, reconheceram presença na ocorrência, alegando que utilizavam viatura caracterizada com sirene, e não veículo particular.
Durante o júri, o defensor público Pedro Cariello, que atuou ao lado do Ministério Público, apontou inconsistências nas versões apresentadas. “Temos aqui dois réus que afirmaram ter atirado na vítima”, declarou. Ele também questionou a legalidade do uso de veículo particular em operações policiais.
TESTEMUNHOS
Foram ouvidos no julgamento o sobrevivente Marcos Vinicius, a mãe de Thiago, Priscila Menezes, moradores que presenciaram e filmaram a ação, além do comandante da operação, que confirmou a versão apresentada pelos policiais.
Em depoimento, Priscila descreveu o filho como um menino “educado, carinhoso, sorridente e feliz”. Segundo ela, Thiago frequentava duas escolas de futebol, tinha mais de 90% de presença nas aulas e não possuía antecedentes.
“Thiago nunca me deu trabalho, nunca me trouxe preocupação”, afirmou a mãe. “Ele gostava de ir para a escola, tinha responsabilidade.”
À época do crime, manifestações e homenagens foram realizadas no Rio de Janeiro em memória do adolescente, que sonhava em se tornar jogador de futebol.
Com informações da Agência Brasil
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