Justiça do Trabalho alerta que exposição monetizada de crianças em redes sociais pode configurar trabalho infantil

Justiça do Trabalho alerta que exposição monetizada de crianças em redes sociais pode configurar trabalho infantil

O Programa de Combate ao Trabalho Infantil da Justiça do Trabalho, em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e outras instituições, emitiu uma nota de posicionamento alertando para os riscos da exposição de crianças e adolescentes em redes sociais. O documento adverte que a atividade, quando envolve monetização e produção habitual de conteúdo, pode ser configurada como trabalho infantil.

O alerta ocorre no contexto do debate sobre a "adultização" — quando crianças assumem papéis e comportamentos de adultos — e a promulgação da nova lei "Eca Digital". Segundo a nota, a atuação de "influenciadores mirins" deixa de ser recreativa e passa a ser trabalho quando há monetização, estímulo à profissionalização e cumprimento de expectativas econômicas.

As entidades ressaltam os graves impactos dessa prática no desenvolvimento infantil, como o prejuízo aos estudos, ao lazer e à convivência familiar, além da exposição a conteúdos inadequados e a uma lógica de competição laboral. Dados da SaferNet, que mostram um aumento de 18,9% nas denúncias de abuso e exploração sexual infantojuvenil em 2025, reforçam a preocupação.

"Não podemos permitir que a modernidade e a inovação tecnológica se tornem novas ferramentas de exploração", afirmou o ministro Evandro Valadão, coordenador do programa da Justiça do Trabalho. Katerina Volcov, do FNPETI, destacou a necessidade de responsabilizar as plataformas digitais.

A nota conclui reforçando a necessidade de uma mobilização institucional e política para combater a exploração econômica de crianças no ambiente digital com a mesma gravidade de outras formas de trabalho infantil.

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