Justiça da Itália detém Tagliaferro, ex-assessor de Moraes, e impõe medidas restritivas
A polícia da Itália deteve nesta quarta-feira, 1º de janeiro, o perito em informática Eduardo Tagliaferro, que atuou como assessor do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral. A medida integra o processo de extradição solicitado pelo Brasil.
Conforme informou a defesa, Tagliaferro não permanecerá preso, mas terá de cumprir restrições de circulação, ficando proibido de deixar a região onde reside até uma decisão final das autoridades italianas. O advogado Eduardo Kunz afirmou que seu cliente pôde acessar os documentos referentes à medida e, em seguida, foi liberado para retornar à sua casa.
O ex-assessor deixou o Brasil após ser acusado de vazar mensagens sigilosas do gabinete do ministro Moraes. Em agosto, a Procuradoria-Geral da República ofereceu denúncia contra ele pelos crimes de violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigações sobre organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
No mês passado, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o pedido de extradição, que foi encaminhado pelo Ministério da Justiça e pelo Itamaraty às autoridades italianas no dia 20 de agosto.
Eduardo Tagliaferro atuou como chefe da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação no TSE e assessorou Moraes durante as eleições de 2022. Desde que passou a viver na Itália, onde possui cidadania, tem feito declarações críticas ao ministro e a integrantes do Judiciário.
Na semana passada, durante audiência remota na Câmara dos Deputados, Tagliaferro acusou Alexandre de Moraes de perseguição política nas eleições. Ele estava convocado para nova participação nesta quarta-feira, mas a detenção impediu seu depoimento.
Por possuir cidadania italiana, Tagliaferro aguardará em liberdade, porém com restrições de circulação, a análise do pedido de extradição. Ainda não está definido se a Justiça da Itália acatará a solicitação brasileira.
Enquanto isso, parlamentares da oposição classificam o caso como perseguição, ao passo que o Ministério Público defende que a atuação do ex-assessor comprometeu investigações sensíveis.
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