Fux abre divergência total com voto para anular ação penal sobre golpe de Estado por cerceamento de defesa

Fux abre divergência total com voto para anular ação penal sobre golpe de Estado por cerceamento de defesa

Em uma reviravolta no julgamento da ação penal sobre a suposta trama golpista, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (10/9) pela anulação do processo. Ele acatou a alegação de cerceamento de defesa, divergindo dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que votaram pela rejeição de todas as preliminares e pela condenação dos réus.

Para Fux, o gigantesco volume de dados (mais de 70 terabytes) disponibilizado aos advogados em um prazo exíguo caracterizou uma violação ao direito de defesa. O ministro classificou a situação como um "tsunami de dados" ou document dumping, que não deu tempo hábil para a análise das provas.

"Apenas em meados de maio, cerca de cinco dias antes do início da oitiva das testemunhas, a Polícia Federal enviou links de acesso para as defesas", observou o ministro. "Como se não bastasse, novos arquivos foram incluídos no curso da instrução processual – inclusive em 15 de junho de 2025."

COMPETÊNCIA DA CORTE

O ministro Luiz Fux já havia demonstrado seu posicionamento contrário à tramitação do processo no STF, defendendo a tese de que a Corte não teria competência para julgar os réus, pois nenhum deles possuía foro privilegiado no momento da suposta prática dos crimes. O relator, Alexandre de Moraes, no entanto, rejeitou essa preliminar, argumentando que grande parte do material foi anexado ao processo a pedido das próprias defesas.

O julgamento, que teve início em 2 de setembro, pode resultar na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sete aliados, acusados de orquestrar uma trama para reverter o resultado das eleições de 2022. O grupo, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), integra o núcleo central do suposto complô.

O voto de Fux é o terceiro do julgamento. Na terça-feira (9/9), os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino rejeitaram as preliminares e votaram pela condenação de todos os oito réus. O julgamento deve se estender até sexta-feira (12), com a expectativa de votos da ministra Cármen Lúcia e do ministro Cristiano Zanin.

Compartilhar:

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário