Barroso declara que julgamento da tentativa de golpe foi "divisor de águas histórico" e elogia Moraes por trabalho "hercúleo"

Barroso declara que julgamento da tentativa de golpe foi "divisor de águas histórico" e elogia Moraes por trabalho "hercúleo"

Ao final do julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete ex-integrantes de seu governo por tentativa de golpe de Estado, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que o Tribunal cumpriu uma "missão importante e histórica". Em sua fala, Barroso destacou a coragem da Corte em julgar autoridades civis e militares com base em evidências.

"Ninguém sai hoje daqui feliz, mas devemos cumprir com coragem e serenidade as missões que a vida nos dá. Acredito que estejamos encerrando os ciclos do atraso na história brasileira, marcados pelo golpismo e pela quebra da legalidade constitucional", declarou o ministro.

DEVIDO PROCESSO LEGAL

Barroso ressaltou que o julgamento foi conduzido com total transparência e respeito ao devido processo legal. Ele destacou que a decisão foi fundamentada em um vasto conjunto de provas, incluindo vídeos, textos, mensagens e confissões dos envolvidos. O presidente do STF manifestou a convicção de que, no futuro, a sociedade reconhecerá a correção da decisão judicial, afastando qualquer tese de perseguição política.

Para o ministro, a principal mensagem do julgamento é o compromisso inegociável com as regras do jogo democrático. "Na vida democrática, antes da ideologia, das escolhas legítimas e das diferentes visões de mundo, tem de existir o compromisso com as regras do jogo, com as instituições e com os resultados eleitorais", pontuou.

Barroso expressou o desejo de que o veredito sirva como uma virada de página para o país, permitindo que a nação supere as divergências e trabalhe por uma agenda comum, “verdadeiramente patriótica, com as divergências naturais da democracia, mas sem intolerância, extremismo ou incivilidade”.

Ele elogiou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o ministro Cristiano Zanin pela condução dos trabalhos, e o relator, ministro Alexandre de Moraes, pelo que chamou de "trabalho hercúleo". Barroso classificou o julgamento como "paradigmático" e "um divisor de águas na história do Brasil".

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