Após vazamento de depoimentos, Justiça amplia sigilo de investigação contra advogado acusado de crimes sexuais no RS

Após vazamento de depoimentos, Justiça amplia sigilo de investigação contra advogado acusado de crimes sexuais no RS

O vazamento de depoimentos de mulheres que afirmam ter sofrido crimes sexuais atribuídos ao advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa levou a Justiça a elevar ao nível máximo o sigilo da investigação, conforme confirmado pela Polícia Civil nesta segunda-feira (22).

Os relatos, registrados em pedidos de medidas protetivas ao Judiciário, circularam em grupos de WhatsApp na última semana, expondo informações sensíveis. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que apura denúncias de crimes sexuais e violência psicológica supostamente ocorridos entre 2013 e 2025.

De acordo com a delegada Fernanda Campos Hablich, os vazamentos criaram um clima de tensão entre as mulheres que vinham prestando informações à polícia. "As vítimas, quando vêm até a polícia, dizem ter medo de que seus relatos se tornem públicos. Isso é gravíssimo para quem sofreu um crime grave e oferece risco ao trabalho da polícia e para a elucidação dos fatos", afirmou.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou que aumentou o sigilo a pedido da advogada das vítimas, Gabriela Souza, encaminhado à juíza-corregedora Tais Culau de Barros. Não houve abertura de expediente para apurar os vazamentos. A delegada informou que não foi possível identificar quem baixou e repassou os arquivos, mas que todas as providências foram tomadas para evitar novos vazamentos.

A Polícia Civil já ouviu pelo menos seis mulheres, que apresentam relatos semelhantes entre si. As possíveis vítimas devem passar por perícia psicológica. A delegada Fernanda Campos Hablich investiga se a posição de poder do professor pode ter gerado medo e vergonha nas mulheres.

Conrado Paulino da Rosa foi demitido da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) após o início das investigações. A instituição afirmou que o desligamento foi administrativo, sem juízo antecipado sobre os fatos. A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio Grande do Sul (OAB/RS), anunciou a abertura de processo ético-disciplinar contra o advogado.

A defesa de Conrado Paulino da Rosa emitiu nota informando que "desde o início da apuração dos fatos destaca como imprescindível que a divulgação de informações seja feita com responsabilidade e em consonância com a realidade dos fatos, em respeito às partes". A nota acrescenta que a defesa mantém o sigilo das informações "em absoluto respeito ao trabalho conduzido pela delegacia especializada".

A advogada das supostas vítimas, Gabriela Souza, disse em nota que "todas as medidas judiciais cabíveis já foram tomadas, inclusive em razão de Medida Protetiva de Urgência vigente".

Com informações do G1

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