Sisamnes: PF prende prefeito de Palmas e advogados por vazamento de informações sigilosas do STJ
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (27), uma nova fase da Operação Sisamnes, com o objetivo de aprofundar investigações sobre uma suposta organização criminosa. O grupo é suspeito de ser responsável pelo vazamento sistemático de informações sigilosas oriundas de inquéritos em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), impactando diretamente operações da própria PF.
Policiais federais cumprem três mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares, todas autorizadas pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). As ações estão sendo realizadas na cidade de Palmas, capital do Tocantins.
A investigação revelou indícios de que informações confidenciais estariam sendo antecipadamente acessadas, articuladas e repassadas a investigados.
As mensagens obtidas revelam comunicações curtas e frequentemente cifradas entre os envolvidos. O esquema operava há pelo menos um ano e meio, com uma troca constante de informações privilegiadas.
Entre os alvos dos mandados de prisão preventiva estão o advogado Antônio Ianowich Filho, o policial civil Marco Augusto Velasco Nascimento Albernaz e o prefeito de Palmas, José Eduardo de Siqueira Campos.
MODUS OPERANDI
O grupo agia de forma organizada. O advogado Antônio Ianowich Filho atuava como conexão direta com o Judiciário, enquanto o policial civil Marco Augusto Velasco Albernaz consultava sistemas internos para monitorar alvos de investigação. As autoridades suspeitam que um funcionário do gabinete de um ministro do STJ repassava documentos confidenciais ao grupo.
Em uma das mensagens enviadas ao prefeito em novembro de 2024, havia o alerta: “Grandes chances de o governador ser afastado amanhã. Confirmado o parecer”. Em outra conversa, quando o prefeito questionou: “Você acha que vai ser amanhã de manhã?”, recebeu como resposta: “São 16 homens, 4 equipes da PF. Chegaram por terra”.
O esquema funcionava principalmente em Palmas, capital do Tocantins, mas havia conexões em Brasília, origem das informações sigilosas do STJ.
MEDIDAS IMPLEMENTADAS
A decisão judicial também autorizou medidas de busca e apreensão contra os investigados, além do afastamento da função pública, a proibição de contato entre eles e a vedação a que deixem o país. O grupo é suspeito de utilizar esses dados sensíveis para proteger aliados, frustrar ações policiais e construir redes de influência.
A identidade do funcionário do STJ suspeito de vazar as informações ainda não foi revelada, assim como a extensão total dos documentos acessados pelo grupo. A investigação continua em andamento no STF.
A defesa do prefeito afirmou que ele confia no Poder Judiciário e tem a certeza de que tudo será esclarecido. O policial Marco Albernaz declarou-se inocente e informou que recorrerá da decisão. A defesa de Antônio Ianowich Filho não foi localizada para comentar o caso. O STJ informou que não comenta investigações em andamento no STF.
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