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Relatório da PF ao STF aponta PM cedido ao TJ-RJ como informante direto dos vazamentos a facção

Escutas mostram envio de documentos do Word e fotos de processos a líderes presos em Bangu 1

Relatório da PF ao STF aponta PM cedido ao TJ-RJ como informante direto dos vazamentos a facção

Em relatório da PF enviado ao STF no final de janeiro, o policial militar Luciano da Costa Ramos Junior, cedido por oito anos ao TJ-RJ, é apontado como um dos responsáveis pelo vazamento de informações sigilosas à facção do Comando Vermelho. A investigação indica que o grupo - que contava com o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar e o ex-deputado estadual Thiego "TH Jóias" Raimundo - utilizava influências políticas e o livre acesso a órgãos do Judiciário para antecipar operações e processos contra chefes do tráfico.

De acordo com o documento assinado pelo delegado Guilherme Catramby, o PM atuava como informante direto de um dos chefes da facção, atualmente preso em Bangu 1. "Luciano utilizava sua posição no TJ-RJ para fornecer a Índio informações sobre o andamento de processos contra faccionados do Comando Vermelho. Foram detectadas conversas que remontam a maio de 2025 em que Luciano alerta Índio acerca de processos e possíveis ações em seu desfavor e de seus comparsas, inclusive com o envio de fotos de documentos em elaboração pelo programa de edição de textos Word", explica o relatório.

O ex-deputado estadual Thiego Raimundo, o "TH Jóias", atuava como o intermediário dessa rede, segundo consta as provas do relatório. Ele é acusado de negociar drogas e armamentos para o Complexo do Alemão e de ser o canal de confirmação de operações quando outras fontes falhavam.

A Polícia Militar informou que Luciano da Costa Ramos Junior permanece preso e responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Por sua vez, o TJ-RJ esclareceu que o policial não tinha acesso a atos administrativos ou jurisdicionais e que sua presença no local ocorria apenas para serviços de segurança fardada.

Em nota, a defesa de Luciano afirma que o Ministério Público já reconheceu que o policial não tinha informações privilegiadas e que ele "vendia informações que não possuía".

O advogado de Bacellar, Daniel Bialski, alega que é um indiciamento "arbitrário e abusivo", sem provas e munido somente de "ilações desamparadas". Já a defesa de TH nega qualquer participação em atividades criminosas ou acesso a vazamentos.

O processo agora segue no STF, onde será decidido se as denúncias serão aceitas, transformando os indiciados em réus.

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