Justiça de SP condena homem a indenizar Lula por dizer que morte de neto foi ‘justiça divina’

Justiça de SP condena homem a indenizar Lula por dizer que morte de neto foi ‘justiça divina’

A Justiça de São Paulo proferiu sentença nesta terça-feira, 28, condenando Hudson Luiz da Cruz de Menezes ao pagamento de uma indenização de R$ 1.412 ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A condenação se deve a uma publicação feita por Hudson nas redes sociais em 2019, na qual ele ironizou a morte do neto do chefe do Executivo.

Na postagem, Hudson sugeriu que a morte do neto de Lula seria uma espécie de "castigo" para o político. Ele escreveu no perfil "Hudson du Mato": “Lula tá só começando a pagar pelo tanto de vida que ele matou ao roubar dinheiro público da saúde. A Justiça de Deus não falha…”.

O neto do presidente, Arthur Araújo Lula da Silva, faleceu aos sete anos de idade em 1º de março de 2019, em um hospital na cidade de Santo André (SP), vítima de meningite. À época do ocorrido, o então ex-presidente estava preso em decorrência de condenação pela Operação Lava Jato, e seu irmão, Genival Inácio da Silva, havia morrido três meses antes.

Na sentença, o juiz Fernando de Oliveira Domingues Ladeira, da 7ª Vara Cível de São Bernardo do Campo, enfatizou que Hudson se utilizou da morte de um familiar e do "momento de dor para fazer considerações políticas". Segundo o magistrado, tal atitude "destoa do debate de ideias livres em um contexto de civilidade básica, cujo preceito primário é respeitar o interlocutor”.

O juiz afirmou ainda que “Debater não é apenas falar, isso é discurso, não é debate. No debate, ouvir é tão importante quanto dizer, e para ouvir (e não apenas escutar) é preciso respeitar o debatedor enquanto indivíduo. Isso implica respeitar momentos de fragilidade, notadamente o luto”, reforçou o magistrado.

O valor da indenização fixado na sentença, R$ 1.412, é o mesmo que foi solicitado na ação judicial, equivalente a um salário mínimo vigente na época. A decisão judicial será publicada no Diário de Justiça e está sujeita a recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

Com informações do Estadão

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