Juiz que atuou na Lava Jato é investigado por suspeita de furto de champanhes em supermercado; TRF-4 abre apuração
A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) encaminhou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) uma investigação que envolve o juiz federal Eduardo Appio, da 18ª Vara Federal de Curitiba (PR), em um caso que apura o suposto furto de duas garrafas de champanhe em um supermercado de Blumenau (SC).
O boletim de ocorrência aponta que Appio teria furtado duas unidades de champagnes Moet Chandon. As unidades custam R$ 540 cada.
O documento aponta que os episódios teriam ocorrido em 20 de setembro e 4 de outubro de 2025, envolvendo bebidas da marca Moët. O supervisor de segurança do estabelecimento relatou à polícia que o autor seria “um senhor com idade aproximada de 72 anos, que utiliza óculos e possui estatura aproximada de 1,76m”, e que o suspeito teria deixado o local em um veículo Jeep Compass Longitude D. A partir da placa informada, a polícia identificou que o automóvel pertence ao magistrado.
Embora o relato inicial não coincidisse integralmente com as características físicas de Appio, os investigadores prosseguiram com as diligências e decidiram encaminhar o caso ao TRF-4 em razão da prerrogativa de foro do juiz.
Em ofício encaminhado na última quinta-feira (23), a Polícia Civil comunicou formalmente ao tribunal a existência de indícios de autoria após a oitiva de testemunha presencial e a análise de imagens de segurança. O documento registra que a remessa ocorreu “em razão da indicação de possível autor com prerrogativa de foro”, conforme o artigo 108, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal, e a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).
O juiz afirmou que a situação decorre de um “mal-entendido” e declarou que sempre pagou por todas as suas despesas, informando ainda que pretende ingressar com ações de reparação. Seu advogado afirmou que não se manifestaria sobre o caso.
LAVA JATO
Appio ganhou destaque nacional após ser designado para a 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos da Lava Jato.
O juiz foi afastado após ser apontado como participante de um telefonema anônimo que ameaçou o filho de um desembargador federal próximo ao hoje senador Sergio Moro (União-PR).
O TRF-4 informou que não se pronunciará, em razão do sigilo que envolve apurações referentes a magistrados.
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