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Advogada e oficiala de justiça são brutalmente agredidas durante cumprimento de mandado

Violência ocorreu durante tentativa de apreensão de veículo em São Paulo

Advogada e oficiala de justiça são brutalmente agredidas durante cumprimento de mandado

O cumprimento de um mandado judicial de busca e apreensão terminou em violência na tarde desta quinta-feira (5), na capital paulista. A oficiala de Justiça Marcela Gomes Giorgi e a advogada Melissa Amorim de França foram agredidas durante a tentativa de apreensão de um veículo pertencente a um devedor.

Segundo os relatos, a diligência tinha como objetivo recolher um automóvel cujo financiamento estava em atraso. Após buscas para localizar o carro, a oficiala chegou ao endereço indicado no mandado, que aparentava estar desocupado e possuía uma placa de “vende-se”.

Diante da situação, foi acionado um chaveiro e um guincho para a retirada do veículo, além de solicitado apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Enquanto aguardavam a chegada do apoio, uma mulher saiu da residência vizinha e afirmou conhecer os proprietários do carro, dizendo que entraria em contato com eles. Posteriormente, constatou-se que ela era esposa do dono do automóvel.

Pouco tempo depois, dois homens chegaram ao local. De acordo com a oficiala de Justiça, tratava-se do proprietário do veículo e de seu filho.

Segundo o relato, a diligência já havia sido formalmente cumprida, com a ciência do ato pelo devedor e a entrega das chaves do automóvel. Enquanto o auto de apreensão era lavrado, a advogada iniciou a retirada do carro da garagem.

Nesse momento, o proprietário avançou sobre o veículo de forma repentina e forçou a porta enquanto a advogada ainda estava ao volante. Ele arrancou as chaves das mãos de Melissa — quebrando suas unhas — e passou a puxá-la para fora do carro pelos braços, pernas e cabelos, arremessando-a ao chão diversas vezes.

Durante a confusão, houve luta corporal. Segundo os relatos, o homem passou a ameaçar a oficiala de Justiça e a advogada, afirmando que não tinha mais nada a perder e que, caso o carro fosse levado, “acabaria com tudo”.

Em seguida, ele entrou no veículo pelo lado do passageiro e começou a procurar algo sob o banco, o que levou as profissionais a temer que estivesse tentando pegar uma arma de fogo.

“Eu realmente achei que ele ia atropelar a Melissa. Eles ficaram em luta corporal, ela foi se machucando, ele a jogou no chão e ela bateu as costas”, relatou Marcela, ainda abalada com o ocorrido.

Após as agressões, os suspeitos conseguiram fugir com o veículo alvo do mandado. Segundo a oficiala de Justiça, pai e filho deixaram o local levando também outro automóvel que possuía restrições judiciais.

Melissa foi socorrida e encaminhada a uma unidade hospitalar, onde permanece internada. Ela apresenta escoriações pelo corpo e encontra-se profundamente abalada. Posteriormente, também foi submetida a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal.

Marcela relatou ter sido empurrada e ameaçada de morte durante a ocorrência, embora não tenha sofrido ferimentos graves.

A Polícia Militar do Estado de São Paulo foi acionada, mas, segundo os relatos, houve demora no atendimento em razão de uma operação policial paralela na região.

O caso foi registrado no 73º Distrito Policial de Jaçanã como lesão corporal, resistência e roubo. Imagens de câmeras de segurança da região estão sendo analisadas para identificar e localizar os responsáveis.

O presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo, Cássio Ramalho do Prado, criticou a violência sofrida pelas profissionais e destacou os riscos enfrentados diariamente pela categoria.

“Infelizmente, o risco é inerente ao exercício da função do oficial de Justiça. Somos agentes do Estado responsáveis por dar efetividade às decisões judiciais e, muitas vezes, atuamos em situações de grande tensão. O que ocorreu é absolutamente inaceitável e reforça a necessidade de maior atenção à segurança da categoria”, afirmou.

Cássio também ressaltou que o episódio gera ainda mais indignação por ter ocorrido às vésperas do Dia Internacional da Mulher.

“É chocante que duas mulheres, no exercício de suas funções profissionais, tenham sido vítimas de tamanha violência justamente neste momento simbólico de reflexão sobre respeito, dignidade e igualdade. Esse caso não pode passar impune”, concluiu.

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