Toffoli determina nível máximo de sigilo em processo de Vorcaro, dono do Banco Master

Toffoli determina nível máximo de sigilo em processo de Vorcaro, dono do Banco Master

O Supremo Tribunal Federal (STF) reforçou o grau de confidencialidade do processo apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Embora a ação já tramitasse sob segredo de Justiça, o tribunal determinou novo nível de sigilo, que impede inclusive a visualização das iniciais das partes envolvidas.

O caso está sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Vorcaro foi preso por 12 dias no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeita de um esquema bilionário envolvendo carteiras de crédito negociadas entre o Master e o Banco de Brasília (BRB). No sábado (29), a relatora do caso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargadora Solange Salgado da Silva, revogou a prisão dele e de outros quatro investigados, substituindo-a por medidas cautelares.

A ida da defesa ao STF ocorreu após o nome de um parlamentar ser mencionado no procedimento. Esse parlamentar já figura em outra investigação sob análise da Corte, conduzida pelo ministro Nunes Marques, o que motivou o envio do caso à instância superior.

CONTEXTO DAS INVESTIGAÇÕES

A Operação Compliance Zero se concentra na suposta compra de carteiras de crédito falsas pelo BRB. Segundo a Polícia Federal, o esquema utilizava empresas de fachada — entre elas, a Tirreno — para viabilizar as transações.

A PF apontou que, embora o BRB declare possuir um processo rígido para aquisição dessas carteiras, com análises internas, filtros de elegibilidade, aprovação colegiada e registro na B3, os mecanismos não impediram falhas graves. Entre elas: créditos sem validade, repetição de CPFs, contratos originados por empresa recém-criada como a Tirreno e ausência de documentação das operações.

Os investigadores destacaram ainda que o BRB aceitou a devolução de R$ 6,7 bilhões diretamente da Tirreno. A empresa firmou acordo para restituir o valor em seis parcelas, entre junho e dezembro de 2025. Conforme a PF, esse montante — que teria sido pago pelo Master à Tirreno antes da revenda das carteiras — permanece em conta vinculada, mas o banco público não exigiu reembolso imediato.

Para a PF, o comportamento do BRB reforça a hipótese de que as operações teriam servido, na prática, como forma de conceder crédito ao Banco Master.

NOME DA OPERAÇÃO

A investigação chegou a ser batizada inicialmente de “Ostap Bender”, referência ao famoso golpista do romance soviético O Bezerro de Ouro. Depois, a Polícia Federal optou pelo nome definitivo: Operação Compliance Zero.

Com informações do Metrópoles

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