Morte de jovem atacado por leoa expõe falhas em atendimento a pessoas com transtornos mentais, diz juíza

Morte de jovem atacado por leoa expõe falhas em atendimento a pessoas com transtornos mentais, diz juíza

A morte de Gerson de Melo Machado, 19 anos, no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa, reacendeu o debate sobre falhas no atendimento a pessoas em sofrimento psíquico. Para a juíza Conceição Marsicano, da 2ª Vara de Garantias, o caso evidencia que o jovem não recebeu o cuidado especializado que havia sido determinado pela Justiça. Em entrevista à CBN, ela afirmou que o acolhimento previsto “não aconteceu da forma devida”.

Gerson — conhecido como “Vaqueirinho” — morreu no domingo (30) após escalar estruturas do parque, ultrapassar barreiras de proteção e acessar a área interna onde uma leoa estava. Imagens registradas por visitantes mostram o rapaz se aproximando do animal antes de ser atacado. O sepultamento ocorreu na tarde desta segunda-feira (1º), acompanhado por familiares e por profissionais da assistência social que o acompanhavam.

A magistrada explicou que o jovem vivia com transtornos mentais e acumulava, ao longo dos anos, diversas passagens pelo sistema de Justiça. Quando o processo chegou às suas mãos, ele estava no Presídio do Róger sem avaliação psicossocial adequada. Depois de requisitar exames e receber o parecer técnico, a juíza determinou sua saída da unidade prisional e o encaminhamento ao CAPS AD para tratamento especializado — providência que, segundo ela, não se concretizou.

Conceição Marsicano disse ter comunicado a situação às secretarias de Saúde do estado e do município, apontando dificuldades estruturais, como a ausência de informações sobre vagas em unidades terapêuticas, e a necessidade de uma nova etapa de cuidado que não chegou a ser oferecida. “Ele precisava avançar no tratamento, mas isso não aconteceu”, afirmou.

REPERCUSSÕES

A Prefeitura de João Pessoa declarou que Gerson agiu de forma repentina ao invadir o recinto da leoa, surpreendendo as equipes de segurança, que tentaram intervir. A Polícia Civil, em laudo preliminar, trabalha com a hipótese de ação voluntária, ainda sujeita à confirmação.

A leoa Leona, responsável pelo ataque, está sendo monitorada e permanece em bom estado de saúde, segundo a gestão municipal. O animal não será sacrificado. O parque segue fechado temporariamente enquanto os procedimentos oficiais são concluídos. A administração afirma que a estrutura do local cumpre todas as normas de segurança vigentes.

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