Após Gilmar conceder liminar restringindo impeachment contra ministros do Supremo, CCJ aprova PL que limita decisões monocráticas no STF

Após Gilmar conceder liminar restringindo impeachment contra ministros do Supremo, CCJ aprova PL que limita decisões monocráticas no STF

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (3), um projeto que impõe novos limites às decisões monocráticas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e às ações movidas diretamente por partidos políticos no controle de constitucionalidade. A análise ocorreu no mesmo dia em que o ministro Gilmar Mendes proferiu decisão reduzindo a autonomia do Senado para processar pedidos de impeachment contra integrantes da Corte.

Como a proposta recebeu aprovação em caráter conclusivo dentro da CCJ, seguirá diretamente para o Senado, sem necessidade de nova votação no plenário da Câmara.

O texto aprovado determina que liminares concedidas individualmente por ministros do STF devem ser encaminhadas de imediato ao Plenário da Corte para validação. A intenção é restringir a possibilidade de que um único magistrado suspenda leis aprovadas pelo Congresso ou atos do Executivo por longos períodos.

O projeto também modifica as regras de acesso ao Supremo pelas siglas partidárias. Apenas legendas que cumprirem a cláusula de barreira poderão propor ações diretas questionando normas federais. A regra não elimina, porém, a legitimidade das federações partidárias, que serão consideradas um único ente para esse tipo de propositura. Na prática, partidos de menor expressão política deixam de acionar o STF de forma isolada.

Poucas horas antes da votação na CCJ, o ministro Gilmar Mendes concedeu liminar atendendo a um pedido do Solidariedade e da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), modificando o rito de impeachment de ministros do STF no Senado. Pela decisão, a abertura do processo passa a depender do apoio de dois terços dos senadores — e não mais de maioria simples. Além disso, Gilmar estabeleceu que apenas o procurador-geral da República pode apresentar pedidos dessa natureza, afastando a possibilidade de iniciativa popular.

A proposta aprovada na Câmara é de relatoria do deputado Alex Manente (Cidadania-SP) e busca uniformizar o procedimento das ações de inconstitucionalidade, além de reforçar o papel colegiado do STF nas decisões de maior impacto institucional.

Com informações do Estadão

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