Por unanimidade, 1ª Turma do STF torna Eduardo Bolsonaro réu por coação no curso do processo

Por unanimidade, 1ª Turma do STF torna Eduardo Bolsonaro réu por coação no curso do processo

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou unanimidade para receber a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu pelo crime de coação no curso do processo. O parlamentar é acusado de usar declarações públicas e redes sociais para afirmar que buscava sanções do governo dos Estados Unidos contra ministros do STF, membros da PGR e da Polícia Federal, visando intimidá-los.

A decisão foi tomada no Inquérito (INQ) 4995, julgado em sessão virtual iniciada na sexta-feira (14) com término previsto para 25 de novembro. As investigações apontam que o deputado afirmava atuar para que os EUA impusessem sanções a autoridades brasileiras pelo que ele considera uma "perseguição política" a ele e a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para o relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, a denúncia da PGR descreveu satisfatoriamente os fatos e há provas da ocorrência do crime e indícios suficientes de autoria. Segundo ele, isso permitirá ao acusado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.

No voto, Moraes destacou que as condutas de Eduardo Bolsonaro, registradas em suas redes sociais, tinham como objetivo criar um ambiente de instabilidade institucional e social. A finalidade, segundo o relator, era coagir os ministros do STF a decidir favoravelmente ao ex-presidente Jair Bolsonaro em outro processo (AP 2668).

O ministro também detalhou como a "grave ameaça", elemento do crime de coação, foi materializada. Ela consistiu na articulação para obter sanções dos EUA, incluindo tarifas de exportação ao Brasil, suspensão de vistos de autoridades e a aplicação da Lei Magnitsky (que prevê restrições financeiras) contra o próprio relator.

Acompanharam o voto de Alexandre de Moraes a ministra Cármen Lúcia e os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, selando o placar unânime.

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