USP demite professor de Direito Alysson Mascaro após processo que apurava acusações de assédio e abuso sexual
A Universidade de São Paulo (USP) decidiu, na quinta-feira (11/12), pela demissão do professor da Faculdade de Direito Alysson Mascaro. A decisão encerra o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado em fevereiro deste ano para apurar acusações de assédio e abuso sexual contra o docente.
Mascaro estava afastado de suas funções desde dezembro de 2024, quando a universidade iniciou a apuração preliminar do caso após a divulgação de relatos de alunos e ex-alunos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
A investigação preliminar teve início após as denúncias de dez alunos e ex-alunos serem reveladas. Duas semanas depois, mais nove homens relataram acontecimentos semelhantes envolvendo o professor.
O PAD foi conduzido pela Procuradoria Geral da USP, que ouviu pelo menos 15 vítimas, realizou diligências e examinou a defesa do professor. Após a instrução, a Procuradoria Disciplinar produziu um relatório final com recomendações para a diretoria da Faculdade de Direito.
O diretor da Faculdade, Celso Campilongo, convocou a Congregação – órgão colegiado máximo da unidade – que votou pela demissão do docente. A informação foi confirmada ao Intercept por fontes que acompanharam a reunião. Por meio de sua assessoria, a Faculdade de Direito da USP informou apenas que a decisão segue sob sigilo.
ESFERA CRIMINAL
Paralelamente à apuração administrativa, o caso é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Em junho deste ano, a Polícia Civil abriu um inquérito a pedido do MP-SP. Em setembro, a promotora de Justiça Maria Carolina Pera João Moreira Viegas solicitou acesso ao PAD da USP, destacando sua relevância para as investigações criminais.
“Este procedimento administrativo disciplinar representa instrumento de fundamental importância para as investigações criminais, considerando que nele foram colhidos depoimentos das vítimas, documentação probatória e demais elementos informativos”, pontuou a promotora no pedido.
A Polícia Civil oficiou a USP, e a universidade compartilhou uma parte do material levantado no final de novembro. O compartilhamento das provas colhidas pela USP permitirá que a Polícia Civil avance nas próprias diligências e na coleta de novos depoimentos.
A defesa de Alysson Mascaro e a Universidade de São Paulo não se manifestaram até o momento. O espaço segue aberto.
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