TJ-PR abre sindicância para investigar juiz que postou ‘stories’ no exterior por suspeita de morar fora enquanto deveria cumprir expediente presencial
Um juiz federal lotado na 5ª Seção Judiciária de Londrina e com atuação em Cambé, no norte do Paraná, está sob investigação por suspeita de residir nos Estados Unidos enquanto deveria cumprir suas funções no Brasil. O magistrado Marcelo Furlanetto da Fonseca é alvo de uma representação anônima protocolada no Ministério Público do Paraná (MP-PR), que utilizou publicações em redes sociais como prova.
O juiz optou por não se manifestar sobre o caso.
REDES SOCIAIS E "ZIP CODE"
As evidências reunidas na representação, que datam de outubro de 2023 a maio de 2025, consistem em stories – publicações temporárias em redes sociais – que mostram o juiz e sua família em diversas localidades no exterior, incluindo os Estados Unidos e Portugal.
Entre os registros, há fotos de lazer e descanso, como um story de janeiro deste ano em Palm Beach, EUA, com a legenda: "hoje a caminhada está diferente".
Um ponto crucial na denúncia é uma publicação da esposa do juiz em maio deste ano, na qual ela afirma possuir um “zip code” nos EUA, o equivalente a um endereço fixo ou CEP no Brasil.
TJ-PR ABRE SINDICÂNCIA
O processo de apuração foi aberto em 3 de novembro no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). Após a análise pela Corregedoria-Geral da Justiça, foi solicitada a abertura de uma sindicância no último dia 25 de novembro.
A portaria que deu início à sindicância, assinada pelo desembargador Fernando Wolff Bodziak, revela que a Polícia Federal forneceu os registros de entradas e saídas de Fonseca do Brasil. Bodziak destacou que algumas dessas saídas não possuem “correspondência com férias ou licenças regularmente deferidas pela Presidência do Tribunal”.
O desembargador aponta que essa realidade “lança suspeita razoável sobre a residência fora do país e sugere possível violação aos deveres insculpidos no art. 35 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional”. O artigo em questão exige que o magistrado resida “na sede da Comarca salvo autorização do órgão disciplinar”.
Em nota, o TJ-PR confirmou que "a Corregedoria-Geral da Justiça está apurando o caso", mas ressaltou que os "procedimentos disciplinares contra magistrados tramitam sob sigilo".
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