Senado vota nesta quarta (10) na CCJ novas regras para impeachment de ministros do STF após decisão de Gilmar

Senado vota nesta quarta (10) na CCJ novas regras para impeachment de ministros do STF após decisão de Gilmar

O Senado Federal pautou para a próxima quarta-feira (10) a votação do projeto que atualiza e restringe as regras para o processo de impeachment de autoridades, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi confirmada pelo senador Otto Alencar, que garantiu o tema como o "primeiro item da pauta".

A tramitação da matéria foi acelerada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após o ministro do STF Gilmar Mendes emitir uma liminar que endureceu as normas de impedimento de membros da Corte.

LEGIMITIDADE E PRAZOS

O senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator do projeto, finalizou o texto e o apresentará ainda hoje aos líderes partidários. Ele antecipou as principais mudanças que propõe para o processo de impeachment, aplicáveis não apenas aos ministros do STF, mas também a autoridades de outros Poderes.

  1. REORGANIZAÇÃO

A mudança central reside em quem pode protocolar o pedido de impedimento. Atualmente, qualquer cidadão pode fazê-lo.

O pedido de impeachment só poderá ser apresentado por entidades e órgãos qualificados, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e partidos políticos com representação no Congresso.

Cidadãos comuns poderão apresentar o pedido, mas apenas por meio de um abaixo-assinado endossado por 1% do eleitorado nacional.

Para o relator, a medida visa "qualificar o ato". "Não se pode usar instrumento de exceção como meio de atuação política, para manifestar descontentamento ou divergência com a autoridade," justificou Rocha.

  1. FIXAÇÃO DE PRAZO

Outra alteração visa dar mais transparência e celeridade à decisão inicial do presidente do Senado sobre o recebimento do pedido, que hoje não tem prazo.

O presidente do Senado terá um prazo de 15 dias úteis para analisar o pedido de impeachment, decidindo por arquivá-lo ou dar seguimento.

  1. DESARQUIVAMENTO

Se o presidente do Senado decidir pelo arquivamento do pedido, o Plenário terá o poder de desarquivá-lo em até 15 dias, mas com um quórum mais rigoroso. O desarquivamento exigirá o apoio de 2/3 dos senadores. Nas regras anteriores, bastava a maioria simples dos senadores presentes.

O projeto também propõe que, para a expulsão final de um ministro da Suprema Corte, sejam necessários os votos de 2/3 dos 81 senadores (54 votos).

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