Por falta de provas, juiz absolve empresário preso na Itália acusado de formar organização criminosa para esquema de fraudes em previdências

Por falta de provas, juiz absolve empresário preso na Itália acusado de formar organização criminosa para esquema de fraudes em previdências

O juiz federal Massimo Palazzolo, da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, decretou a absolvição sumária do advogado e investidor Renato de Matteo Reginatto e de outros seis réus acusados pelo Ministério Público Federal (MPF) de integrar uma organização criminosa responsável por um esquema de fraudes contra institutos de previdência municipal.

A decisão judicial encerra o capítulo mais grave das acusações formuladas no âmbito da Operação Encilhamento, deflagrada em 2019, que apurava a aquisição de títulos privados sem lastro e aplicações proibidas por fundos de pensão de servidores municipais.

FALTA DE PROVAS

Em sua sentença, o juiz Massimo Palazzolo concluiu que, embora a narrativa ministerial indicasse que Renato de Matteo possa ter agido em conjunto com outros réus para obter vantagens econômicas, os fatos não foram suficientes para comprovar a existência de uma organização criminosa nos termos exigidos pelo Código Penal.

"Verifico a inexistência de elementos probatórios mínimos para o prosseguimento da presente persecução penal. Não restou demonstrado nos autos, a estabilidade e permanência entre os demais membros integrantes da suposta organização criminosa, [nem] a hierarquia existente entre os demais participantes…", disse Palazzolo.

O magistrado destacou a ausência de provas cabais que demonstrem o dolo e o animus associativo de caráter estável e permanente, elementos essenciais para a configuração do tipo penal de organização criminosa.

ESQUEMA E HISTÓRICO

A Operação Encilhamento, conduzida pela Polícia Federal e Receita Federal, investigou um amplo esquema de fraudes contra regimes próprios de previdência de servidores de dez cidades em cinco estados (São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina e Amapá) entre 2014 e 2018.

Segundo a acusação do MPF, as irregularidades envolviam a emissão de debêntures sem lastro ou garantias por empresas de fachada, com capital social irrisório, que emitiram títulos de dívida que somavam R$ 60 milhões. O MPF alegou que mais de R$ 16,2 milhões foram desviados e que as transações violaram normas do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Renato de Matteo Reginatto chegou a ser preso na Itália, em fevereiro de 2019, após ter seu nome incluído na difusão vermelha da Interpol.

NOTA DA DEFESA

A advogada de Matteo, Josiana Gonzaga de Carvalho, classificou a absolvição sumária como a "constatação, pelo próprio Estado, da inexistência de todas as provas da acusação". Ela lembrou que a prisão do cliente foi ilegal, com a divulgação "vexatória e imoral" de sua imagem em três continentes.

A defesa alega ainda que outros processos em andamento, relativos aos mesmos fatos e tipos penais, desrespeitam o princípio do bis in idem (não ser julgado duas vezes pelo mesmo crime). Com a absolvição, a defesa afirma ter como objetivo reaver integralmente a honra e dignidade do investidor, buscando, inclusive, a anulação completa da Operação Encilhamento, que consideram um "apêndice da Lava Jato".

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