OAB afasta advogado preso por atropelar e matar idosa; suspeito tem outras 2 mortes em histórico

OAB afasta advogado preso por atropelar e matar idosa; suspeito tem outras 2 mortes em histórico

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) determinou a suspensão cautelar imediata do advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos, de 68 anos. O profissional é o principal suspeito de atropelar e matar a pedestre Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, de 71 anos, na Avenida da FEB, em Várzea Grande.

A decisão, assinada pela presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso, fundamentou-se na gravidade da conduta, na repercussão do caso e no impacto à dignidade da classe, além do extenso histórico criminal do investigado. O processo foi encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para as providências disciplinares cabíveis.

ACIDENTE E FUGA

Imagens de câmeras de segurança analisadas pela Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran) registraram o momento do acidente. Ilmes Dalmes estava a menos de 50 centímetros de concluir a travessia da avenida quando foi atingida pela caminhonete conduzida por Paulo Roberto. Com a força do impacto, o corpo da idosa foi arremessado para a pista contrária, onde foi atingido por um segundo veículo.

Segundo a Polícia Civil, o advogado fugiu do local sem prestar socorro à vítima, sendo localizado e preso pouco tempo depois nas proximidades de um shopping da região. O condutor do segundo veículo, por outro lado, permaneceu no local, prestou esclarecimentos e foi liberado.

DOLO EVENTUAL

Em audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (21), a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, negando o pedido de liberdade apresentado pela defesa. Paulo Roberto nega o crime, alegando em depoimento que a vítima é quem teria "batido no carro". No entanto, seus advogados declararam que ele está "extremamente desolado" com o ocorrido.

A Deletran informou que o advogado deve responder por homicídio doloso por dolo eventual — quando se assume o risco de matar —, além do crime de fuga de local de acidente.

HISTÓRICO CRIMINAL

O caso ganha contornos ainda mais graves devido ao histórico criminal de Paulo Roberto, que já possui condenações por dois homicídios em estados diferentes.

Paulo foi sentenciado a 13 anos de prisão pelo assassinato a tiros do delegado da Polícia Civil Eduardo da Rocha Coelho. Após o crime, ele fugiu para Mato Grosso, onde viveu por anos utilizando a identidade falsa de Francisco de Ângelis Vaccani Lima.

Em 2004, o advogado foi denunciado pelo assassinato da estudante de enfermagem Rosemeire Maria da Silva, em Juscimeira (MT). A vítima foi asfixiada em um motel e teve o corpo decapitado. Por este crime, ele foi condenado a 19 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

O advogado permanece detido e à disposição da Justiça, enquanto o Conselho Federal da OAB acompanha os desdobramentos que podem levar à cassação definitiva de seu registro profissional.

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