Mais de 129 mil processos citam litigância abusiva, diz estudo inédito do CNJ que aponta medidas para enfrentamento no Poder Judiciário

Mais de 129 mil processos citam litigância abusiva, diz estudo inédito do CNJ que aponta medidas para enfrentamento no Poder Judiciário

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apresentou, na quinta-feira (18), os resultados do “Diagnóstico Nacional sobre o Enfrentamento da Litigância Abusiva e Predatória no Poder Judiciário”. O levantamento inédito aponta que mais de 129 mil processos judiciais no Brasil mencionam expressamente o uso abusivo do direito de petição, sendo que 34,7 mil desses registros ocorreram apenas no primeiro semestre de 2025.

Realizada em parceria com a Associação Brasileira de Jurimetria (ABJ), a pesquisa evidencia como o fenômeno compromete a celeridade processual, gera custos institucionais elevados e impacta negativamente a eficiência do mercado e a legitimidade do sistema de justiça.

ESTRATÉGIAS

Para combater a sobrecarga do sistema, o diagnóstico recomenda a implementação de medidas estruturantes. Entre os destaques está a criação de um Cadastro Nacional de Litigância Abusiva, que permitiria o cruzamento de dados e decisões em todo o país.

O estudo também reforça o fortalecimento dos Centros de Inteligência, que são unidades dedicadas ao monitoramento de demandas de massa e gerenciamento da judicialização excessiva; capacitação técnica, com treinamento específico para magistrados e servidores identificarem padrões de abuso; e gestão de precedentes, cujo intuito é ampliar a previsibilidade das decisões para reduzir a litigância abusiva.

EQUILÍBRIO

A conselheira Daniela Madeira, integrante do Centro de Inteligência do Poder Judiciário, enfatizou que o diagnóstico permite uma visão precisa da realidade dos tribunais. “Tratar dados e compreender a realidade concreta é fundamental para reduzirmos erros e aprimorarmos as respostas institucionais”, afirmou durante o evento.

Já o conselheiro Marcello Terto reforçou que a abordagem deve ser equilibrada para não ferir o direito fundamental de acesso à Justiça. “O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio entre assegurar direitos e inibir práticas que gerem sobrecarga. Precisamos de previsibilidade e rigor científico”, destacou Terto.

METODOLOGIA

O estudo foi desenvolvido ao longo de dois anos, analisando amostras de processos cíveis e trabalhistas ajuizados entre 2020 e 2024. A fase qualitativa contou com 53 entrevistas em profundidade com magistrados, defensores públicos, advogados e membros do Ministério Público.

Um dos principais achados do levantamento é a dificuldade enfrentada pelos juízes em estabelecer critérios objetivos para confirmar o abuso. Segundo os pesquisadores, há um desafio institucional em transitar da "mera suspeita" para a "confirmação jurídica" da litigância predatória, o que reforça a necessidade de diretrizes nacionais unificadas.

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