Justiça nega prisão de Lucas Bove, mas o torna réu por perseguição e violência doméstica e psicológica contra a ex-mulher Cíntia Chagas
O deputado estadual bolsonarista Lucas Diez Bove (PL) foi formalmente tornado réu pela Justiça de São Paulo em um processo que investiga os crimes de violência doméstica e psicológica e perseguição contra sua ex-mulher, a influenciadora digital Cíntia Chagas.
A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público (MP), mas negou o pedido de prisão feito pelo órgão. Contudo, o magistrado determinou o pagamento de uma multa de R$ 50 mil ao parlamentar por violar ordens judiciais anteriores que o proibiam de mencionar publicamente a vítima e o processo.
AMEAÇA COM ARMA
A denúncia do Ministério Público, apresentada no mês passado, detalha uma série de abusos físicos e psicológicos ocorridos durante o relacionamento de mais de dois anos.
- Ameaça de morte: o MP afirma que Lucas Bove intimidava a vítima recorrentemente, fumando maconha e manuseando uma arma de fogo, chegando a apontá-la para Cíntia "como se fosse uma brincadeira". O deputado também teria ameaçado matá-la em caso de traição e esconder o corpo.
- Agressões físicas: consta na denúncia o relato de que o réu arremessou uma faca contra a perna da vítima e tinha o hábito de beliscar e apertar fortemente o corpo e os seios da ex-esposa.
- Perseguição digital: o deputado foi indiciado pela polícia por perseguição e violência psicológica em setembro. A denúncia do MP relata que, há cerca de um ano, Bove vinha desrespeitando ordens judiciais ao publicar indiretas e, posteriormente, fazer publicações explícitas com o nome da vítima e referências ao caso, sugerindo que ela mentia.
FÉ NA JUSTIÇA X DEFESA DA INOCÊNCIA
A influenciadora Cíntia Chagas manifestou-se por meio de nota, defendendo a atuação do Judiciário após o deputado ter acusado a delegada e o Ministério Público de "militância":
"A cada decisão processual que o contraria, ele elege um novo algoz. E agora? Acusará o juiz de quê? Eu, contudo, continuo acreditando na Justiça. Ela existe neste país", declarou Cíntia Chagas.
A defesa da influenciadora classificou o acolhimento da denúncia como "um passo fundamental no combate à impunidade" e um marco na aplicação da Lei Maria da Penha.
Por sua vez, a defesa de Lucas Bove afirmou em nota que o indeferimento do pedido de prisão foi positivo e que agora o parlamentar "poderá comprovar a mendacidade [falsidade] das acusações", produzindo provas que evidenciem sua inocência de forma absoluta. A defesa também questionou o vazamento contínuo de informações do processo, que tramita sob sigilo judicial.
O caso tramita na Justiça paulista e ocorre após o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) ter decidido arquivar a denúncia de quebra de decoro parlamentar contra o deputado no mês de agosto.
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