Juíza vira alvo de ameaças após ser associada equivocadamente ao caso do cão Orelha

Juíza vira alvo de ameaças após ser associada equivocadamente ao caso do cão Orelha

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) determinou a abertura de investigação para apurar crimes de ameaça e contra a honra cometidos nas redes sociais após a morte do cão Orelha, em Florianópolis. A medida foi adotada após a juíza Ana Cristina Borba Alves, da Vara da Infância e Juventude de São José, e diversas famílias relatarem ataques virtuais, mesmo sem qualquer vínculo com o caso que envolve a morte do animal.

A magistrada relatou ter recebido mais de dois mil comentários ofensivos após seu nome circular nas redes como supostamente ligado ao procedimento envolvendo os adolescentes. Ela esclareceu que não atua no caso nem na capital catarinense.

"Ainda que eu fosse a juíza do caso, há o devido processo legal e eu não concordo de forma alguma com esse linchamento. Isso não leva a lugar algum. As pessoas estão combatendo violência com mais violência. Eu me senti altamente violentada. Foi assustador, desgastante", disse.

Diante da situação, a juíza acionou o Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do Tribunal de Justiça para a instauração de inquérito.

HOTÉIS E FAMÍLIAS TAMBÉM FORAM ALVOS

Desde que o episódio veio a público, ao menos cinco famílias tiveram a rotina profundamente afetada por xingamentos, perseguições e ameaças de morte. Além da magistrada, gestores de dois hotéis e casais com filhos jovens, todos confundidos com suspeitos ou pessoas ligadas à investigação do crime.

Na última semana, publicações nas redes sociais passaram a apontar, de forma equivocada, os proprietários do Majestic Palace Hotel como pais de um dos adolescentes suspeitos. Em nota pública, os donos do estabelecimento afirmaram que existe apenas coincidência de sobrenomes, sem qualquer vínculo familiar com os envolvidos.

Segundo o diretor do hotel, a disseminação de informações falsas provocou prejuízos à imagem do empreendimento, levando inclusive agências de viagem a anunciarem o rompimento de parcerias. Outro hotel, o Majestic Rio Hotel, também foi alvo de ataques por ter nome semelhante. Em comunicado divulgado nas redes sociais, o estabelecimento negou qualquer relação com o caso e afirmou estar sofrendo denúncias indevidas, tentativas de derrubada de perfis e ataques que atingiram colaboradores, hóspedes e parceiros.

Além disso, dois casais relataram que seus filhos foram indevidamente associados ao crime. Em um dos casos, uma família de Santa Catarina registrou boletim de ocorrência contra mais de cem perfis que divulgaram ameaças e mensagens ofensivas. Segundo os pais, a confusão ocorreu porque a mãe de um adolescente tem vínculo societário com a mãe de um dos investigados, o que levou a associações equivocadas.

Mensagens com ameaças explícitas foram enviadas diretamente às famílias, inclusive utilizando fotos de menores de idade. Os advogados que representam o casal afirmam que diversos autores das ofensas foram identificados, incluindo profissionais liberais, servidores públicos e influenciadores, e que todos podem ser responsabilizados civil e criminalmente.

Em situação semelhante, um adolescente de São Roque, no interior de São Paulo, também passou a sofrer ataques por ter nome parecido com o de um dos suspeitos. A família relatou que o jovem se isolou, deixou atividades cotidianas e teve a saúde mental afetada, o que motivou o registro de ocorrência por calúnia e difamação.

CÃO ORELHA

O cachorro Orelha, considerado mascote da Praia Brava, foi encontrado gravemente ferido em 15 de janeiro, após ser espancado, e morreu mesmo após atendimento veterinário. A Polícia Civil de Santa Catarina investiga a participação de pelo menos quatro adolescentes.

O inquérito tramita sob sigilo por envolver menores e avançou a partir de imagens de câmeras de segurança e depoimentos. Dois suspeitos em Florianópolis tiveram mandados de busca e apreensão cumpridos, enquanto outros dois, que estavam nos Estados Unidos, retornaram ao país e tiveram celulares e roupas apreendidos.

Com informações do Globo e ND+

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