Idosa perde quase R$ 1 milhão após sofrer golpe de advogado recomendado por vidente
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu em flagrante, na área central de Brasília, o advogado Carlos Antônio de Freitas, sob a acusação de estelionato contra uma servidora pública aposentada de 79 anos. De acordo com as investigações conduzidas pela 5ª Delegacia de Polícia, o suspeito teria desviado cerca de R$ 981 mil da vítima ao longo de três anos, utilizando-se de manipulação emocional e falsas promessas de investimento.
O caso teve início quando a idosa, fragilizada por uma derrota judicial, buscou orientação espiritual com um vidente que atuava na Rodoviária do Plano Piloto. Foi por intermédio deste que ela conheceu Freitas. Mesmo impedido de advogar — por ter sido expulso dos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) —, o homem apresentou-se como profissional habilitado e passou a gerir as finanças da vítima.
ABUSO DE CONFIANÇA
Para garantir o fluxo de transferências bancárias, o investigado estabeleceu um vínculo pessoal profundo com a aposentada. Segundo a PCDF, Freitas passou a acompanhar a idosa em atividades cotidianas, como idas a comércios e cultos religiosos, reforçando uma relação de dependência e confiança que aumentava a vulnerabilidade emocional da vítima.
O golpe era sustentado por supostos investimentos imobiliários em Águas Lindas (GO). O advogado convencia a servidora de que os valores seriam aplicados em um imóvel objeto de usucapião, o que daria uma aparência de legalidade às sucessivas transações.
FLAGRANTE
A denúncia partiu da própria vítima, que procurou a delegacia acompanhada de familiares após uma nova investida do suspeito. Freitas teria ido à residência da idosa solicitar um aporte adicional de R$ 100 mil, o que elevaria o rombo financeiro para mais de R$ 1,1 milhão.
Equipes de plantão efetuaram a prisão nas proximidades da casa da aposentada. Em depoimento, o advogado negou as acusações, alegando ter recebido apenas R$ 35 mil a título de honorários iniciais. No entanto, ele não apresentou documentos que comprovassem a legalidade da relação contratual ou o destino do restante do montante.
Carlos Antônio de Freitas foi indiciado por estelionato consumado contra pessoa idosa. A polícia agora investiga se há outras vítimas do mesmo esquema ou se houve participação de terceiros na abordagem inicial.
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