''Facções ultracapitalizadas'': Dino afirma que caos do RJ está relacionado a infiltração do tráfico ao mercado financeiro formal
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, fez uma crítica incisiva à atual crise de segurança pública no Rio de Janeiro, classificando a situação como um "caos" resultante da "ultra capitalização" das facções criminosas. A declaração, com forte peso político e jurídico, ocorreu nesta terça-feira (28 de outubro de 2025), durante o Fórum Nacional Brasil Export Infraestrutura 2025.
A fala do magistrado se deu em um contexto de alta tensão, citando a megaoperação policial em curso no Rio de Janeiro, que elevou a letalidade no estado. Dino buscou correlacionar a violência com o financiamento do crime organizado:
"Por que está essa confusão no Rio de Janeiro? Minha solidariedade ao povo do Rio. Está esse caos porque as facções criminosas estão ultra capitalizadas. E elas se capitalizam como? Elas não ganham dinheiro só vendendo droga – é dentro do mercado formal", declarou o ministro.
COMBATE À LAVAGEM DE DINHEIRO
Dino fez a conexão com o contexto jurídico-financeiro ao citar uma decisão recente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Anunciada na segunda-feira (27/10), a federação implementou novas diretrizes de combate à lavagem de dinheiro que impõem maior rigor ao sistema financeiro.
Essas diretrizes obrigam os bancos a adotarem procedimentos rigorosos para bloquear movimentações financeiras suspeitas e encerrar imediatamente contas utilizadas para fins ilícitos, como as chamadas "contas laranja", "contas frias" e aquelas ligadas a empresas de apostas (bets) sem autorização oficial.
Isaac Sidney, presidente da Febraban, justificou a medida como um esforço para depurar o sistema:
“Estamos criando um marco no processo de depuração de relacionamentos tóxicos com clientes que alugam ou que vendem suas contas e que procuram o sistema financeiro como canal para escoar recursos de golpes, fraudes e ataques cibernéticos, bem como para lavar o dinheiro sujo do crime”, afirmou Sidney em nota.
O foco da iniciativa é a coibição de crimes financeiros, alinhando-se à preocupação manifestada por Flávio Dino sobre a capitalização das facções criminosas através do mercado formal. "Os bancos não podem, de forma alguma, permitir a abertura e a manutenção de contas laranja, de contas frias e de contas de bets ilegais e é por isso que estamos estabelecendo procedimentos obrigatórios a todos os bancos, para disciplinar o setor e coibir esse tipo de crime", concluiu Sidney.
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