“Ditadura é uma erva daninha que precisa ser cortada para democracia florescer”, afirma Carmén Lúcia
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu no sábado (29/11) que a sociedade deve lutar diariamente para defender a democracia contra iniciativas autoritárias. Em um evento literário no Rio de Janeiro, a ministra comparou regimes de exceção a "ervas daninhas" que precisam ser cortadas e vigiadas para que não voltem a ameaçar o país.
A declaração ocorre dias após o STF determinar o início do cumprimento das penas impostas aos condenados do chamado Núcleo 1 da tentativa de golpe de Estado, grupo que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares.
"A erva daninha da ditadura, quando não é cuidada e retirada, toma conta do ambiente. Ela surge do nada. Para a gente fazer florescer uma democracia na vida da gente, no espaço da gente, é preciso construir e trabalhar todo o dia por ela", defendeu a ministra.
TENTATIVA DE GOLPE
Cármen Lúcia complementou que "democracia é uma experiência de vida que se escolhe, que se constrói, que se elabora".
A ministra relembrou os documentos golpistas que tratavam de planos para assassinar líderes do Executivo e do Judiciário. Ela enfatizou a seriedade de se julgar a tentativa de golpe, mesmo que não tenha se concretizado.
"Primeira vítima de qualquer ditadura é a Constituição. Outro dia alguém me perguntava por que julgar uma tentativa de golpe, se foi apenas tentativa. Meu filho, se tivessem dado golpe, eu estava na prisão, não poderia nem estar aqui julgando", ressaltou.
Referindo-se aos julgamentos em curso no STF, Cármen Lúcia destacou que estava documentada a tentativa de "neutralizar" alguns ministros do Supremo.
"E como eu falei em um dos votos, neutralizar não era harmonizar o rosto, para impedir que apareçam as rugas. Neutralizar é nem poder ter rugas, porque mata a pessoa antes, ainda jovem", afirmou.
ESPAÇOS CULTURAIS
A ministra participou da conferência "Literatura e Democracia", parte da 1ª Festa Literária da Fundação Casa de Rui Barbosa (FliRui). Cármen Lúcia ressaltou a importância de aproximar debates sobre democracia de espaços culturais, que oferecem caminhos mais plurais para envolver o público.
“Este não é um espaço próprio exclusivamente de debates da esfera política formal, oficial do Estado. Aqui é um espaço que permite que a sociedade se reúna, debata, reflita. E daqui podem sair propostas para que a gente pense que a democracia é um modelo de vida para todos nós", disse.
A ministra destacou que a Casa de Rui Barbosa carrega em sua história o compromisso com a luta democrática, refletindo a trajetória de Rui Barbosa, jurista exilado por defender direitos fundamentais.
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